domingo, 1 de janeiro de 2017

A SEXUALIDADE GREGA




Existem vários estudos sobre a importância que as culturas helenas dedicavam ao contato sexual entre seres do mesmo sexo biológico e a falta de influência das mulheres perante os homens (SOUZA, 2007).
Entretanto, antes de tudo, é necessário entendermos o contexto histórico, social e cultural para que não sejamos traídos pelas armadilhas do anacronismo.
O que entendemos por sexualidade, nada mais é do que um conceito moderno do qual os gregos não compartilhavam. O próprio termo “homossexual” foi utilizado pela primeira vez em 1869, pelo belga K. M. Kentbeny (CORINO, 2008), e o que temos hoje, como conceito e ideia sobre sexualidade é devido à nossa herança judaico-cristã (FUNARI, 2002).
O “amor nobre” era baseado em uma relação de educação, pedagógica, entre professor e aluno. A palavra pederastia é originada de paidos, em grego, menino, assim como  pedagogia.
Os romanos se referiam às relações entre homens de “amor à grega”, onde os professores, mais velhos, relacionavam-se sexualmente com seus alunos, jovens entre 12 e 18 anos de idade, não sendo portanto considerados “homossexuais”, pelo fato deste termo não existir à época.
Tal costume era generalizado entre a elite, e as classes menos favorecidas aceitavam como normal.
Haviam banquetes onde se comia, bebia, e filosofava. Além disso, tais banquetes, vez por outra, transformavam-se em orgias sexuais, envolvendo homens com homens, e homens com hetairas (as “companheiras”, não esposas).
As únicas falhas que um homem poderia cometer era se deixar levar pela paixão por outro homem, submetendo-se assim a passividade diante do outro; ou o descontrole que levasse um homem a exibir modos efeminados.
Segundo Corino (2008), em Atenas existia um bairro chamado Cerâmico, onde a prostituição, tanto feminina quanto masculina, era liberada, e os jovens que a praticavam, faziam pelo dinheiro ou simplesmente pelo vício em sexo. A prostituição masculina era permitida por lei, entretanto a seus  praticantes não era permitido a ocupação de cargos públicos, por se acreditar que um homem que vendia seu corpo não hesitaria em vender os interesses da cidade.
Além disso, as relações entre homens de mesma idade não era bem aceita. O que se aceitava socialmente era a relação de um homem mais velho (eraste) com seu jovem pupilo (eromenos), como relatado anteriormente, como uma relação pedagógica.
As mulheres gregas tinham uma única missão na terra: procriar. Eram incapazes de transmitir conhecimento, sendo encaradas como intelectual, física e emocionalmente inferiores aos homens, que detinham o poder político e eram responsáveis por educar os mais jovens, que por sua vez absorveriam conhecimento, casariam, procriariam e seriam professores de outros jovens no futuro, com quem se relacionariam sexualmente.
Com o advento do cristianismo e da ideia do “pecado original”, dando ao sexo o papel de simples reprodução, o conceito grego foi abolido.

PARA LER MAIS:
FUNARI, P. P. Grécia e Roma. São Paulo: Pinsky, 2002.
CORINO, Luiz Carlos Pinto. Homoerotismo na Grécia antiga – homossexualidade e bissexualidade, mitos e verdades. BIBLOS, [S.l.], v. 19, p. 19-24, jan. 2008.
SOUZA, Luana Neres de. A sexualidade na Grécia antiga. História Revista. Goiânia. v. 12, n. 2, p. 387-390, jul./dez. 2007.

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