domingo, 25 de março de 2018



O DESAFIO DO ENSINO DE HISTÓRIA























SILVA, Marcos; GUIMARÃES, Selva. Ensinar história no século XXI: em busca do tempo entendido. Campinas, SP: Papirus, 2012.

Os historiadores Marcos Silva e Selva Guimarães trazem em Ensinar história no século XXI, um apanhado do quadro docente em nosso país, desde o período do Regime Militar até os dias atuais.

Segundo os autores, entre os anos 1980 e 1990, a categoria docente moveu-se entre dois polos: proletarização e profissionalização, evidenciando o desprestígio alcançado pela profissão docente.

Além disso, em relação à escolha da profissão docente, Silva e Guimarães citam pesquisas que indicam que a carreira é vista, pela maioria dos jovens, como transitória e desvalorizada. Por essa razão, fadada a atrair os menos talentosos.

No âmago da questão – o ensino de História – os autores trazem uma série de possibilidades ao alcance do professor de História, evidenciando a interdisciplinaridade como via comum, graças ao advento da Escola de Annales que, desde a década de 1930, buscou o “conceito universalizante das fontes de pesquisa” (SILVA; GUIMARÃES, 2012, p. 66).

Ao discutir história, preservação documental e cultura material, os autores enfatizam o museu, “uma instituição que se destaca [...], tendo em vista seu importante papel de preservar e pesquisar acervos preciosos de objetos tornados raros” (Ibid., p.71).

Da mesma forma, Silva e Guimarães chamam a atenção para a utilização do filme documentário no ensino de História, pela possibilidade que o mesmo tem de suscitar imaginários. De acordo com os autores, “as relações entre história e cinema ultrapassam o gênero ‘cinema histórico’; se tudo é história, todo cinema interessa à história” (Ibid., p. 92).

Outra ferramenta de grande importância, e extremamente presente nos dias atuais, diz respeito ao computador pessoal, bem como a internet. O primeiro tem servido para desenvolvimento de banco de dados, e o segundo ao acesso às redes de comunicação.

Entretanto, os autores chamam atenção para a fragilidade dos suportes utilizados na informática, vulneráveis a vírus e acidentes de uso. Além disso, o computador não substitui a presença do professor, que se faz necessário para o correto desenvolvimento da pesquisa e do ensino de História.

Outro ponto importante levantado pelos autores diz respeito à formação do professor de História. A formação inicial tem como problema a distância entre o conhecimento recebido no curso superior e a realidade encontrada na sala de aula, devendo o profissional da História estar comprometido com sua formação continuada.

Finalizando, os autores evidenciam aquele que é sempre apontado como responsável pelo insucesso do ensino de História: o livro didático, que “submetido à leitura crítica e colocado em diálogo com outros elementos de estudo é um suporte de trabalho que pode render bons resultados” (Ibid., p, 127).

Em Ensino de história no século XXI, somos apresentados a situação em que estão inseridos os professores, como classe profissional, bem como a instrumentos úteis e importantes no processo de ensino-aprendizagem dessa disciplina. Dessa forma, compreendemos a importância da leitura dessa obra para aqueles que tem interesse em aprofundar seus conhecimentos nessa área.

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