quinta-feira, 24 de maio de 2018



                              CARAVELAS, NAUS E A EXPANSÃO MARÍTIMA                              PORTUGUESA NOS SÉCULOS XV E XVI



Portugal, um pequeno país localizado na Europa, transformou-se, nos séculos XV e XVI em um grande império, com colônias localizadas em vários pontos do planeta. Grande parte dessa expansão deve-se à tecnologia envolvida na construção de embarcações portuguesas, que inovaram a forma de vencer grandes distâncias, bem como as intempéries. Podemos, inclusive, comparar a tecnologia utilizada naquela época às atuais naves espaciais, que levam o homem a desbravar o nosso sistema solar.
O documentário Caravelas e naus - um choque tecnológico no século XVI, tenta desvendar o modo de construção destas embarcações. O conhecimento era passado de forma oral, geralmente de pai para filho, segundo Richard Unger, professor da University of Britsh Columbia, não havendo registros escritos . De acordo com Unger, sabemos mais sobre as embarcações de 2000 anos atrás do que sobre as caravelas e naus dos séculos XV e XVI, justamente pela escassez de documentação de época.
Entre as inovações trazidas pela utilização das caravelas poderíamos elencar o fato dela apresentar a capacidade de navegar contra o vento, bem como em águas de pouca profundidade. As naus surgiram como embarcações descomunais, medindo de 27 a 60 metros de comprimento, podendo transportar até 800 pessoas, sendo de grande importância para viagens longas, como a realizada para o Oriente, que levava, em média, um ano.
Todo esse pioneirismo na construção naval levou Portugal, a partir de 1415, de acordo com Bethencourt e Curto (2010), a iniciar sua diáspora, ou seja, a navegar por águas nunca antes navegadas. Os autores elencam esse dado como essencial para o êxito de Vasco da Gama ao chegar a Índia, entre 1497 e 1499. Com isso, Portugal estabeleceu contato com outras culturas, mobilizando enormes contingentes humanos, levando os ensinamentos cristãos e trazendo ouro, marfim, peles e tudo o que fosse capaz de aumentar a riqueza da Coroa Portuguesa.
O processo de colonização estendeu-se pela América, África e Ásia. Portugal se viu dominando colônias em terras longínquas, o que levou outras nações, como a Inglaterra e Holanda, a enveredarem pelos mares em busca de conquistas. Os séculos XVII e XVIII são palco de disputas entre essas potências europeias. Entretanto, Portugal, detentora da tecnologia naval necessária, ocupou primeiramente o posto de liderança no domínio de terras, principalmente no Novo Mundo.    
Podemos observar, de acordo com o trabalho de Bethencourt e Curto (2010), que o Brasil tem lugar privilegiado como colônia, uma vez que, por conta de suas riquezas minerais, pelo açúcar e outros meios de obtenção de renda, sustentou a opulência da corte portuguesa. Nas palavras dos autores, “[...] entre 1650 e 1680 o Brasil e as suas fontes de abastecimento africanas tornaram-se o coração incontestado do império, e assim permaneceram durante todo século XVIII” (BETHENCOURT; CURTO, p. 24), confirmando essa afirmação.
De fato, as incursões dos países europeus pelas Américas, África e Ásia só foram possíveis graças ao espírito pioneiro dos construtores navais portugueses dos séculos XV e XVI, que conseguiram inovar, construindo caravelas e, posteriormente, naus capazes de singrar os oceanos, desbravando distâncias e atingindo terras desconhecidas. Graças a esses construtores Portugal mereceu seu lugar de destaque nas conquistas além-mar.

Referência audiovisual
Caravelas e Naus: um choque tecnológico no século XVI. Direção: António José Almeida. Produção: Telefilme. Portugal, 2007. 48 min.

Referência bibliográfica

BETHENCOURT, Francisco; CURTO, Diogo Ramada. A expansão marítima portuguesa (1400-1800). Lisboa, Portugal: Edições 70, 2010.

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