terça-feira, 23 de agosto de 2016

O HORROR! O HORROR!

As últimas palavras do Sr. Kurtz, personagem do romance O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, traduz muito bem a sensação de incredulidade diante de uma das mais famigeradas criações da raça humana: a guerra.

A literatura, por vezes, relata de forma magistral o que nem mesmo a História consegue transformar em palavras. Exemplo disso é a narrativa empregada por Erich Remarque, em sua obra Nada de Novo no Front, onde podemos ter contato com a crueldade e insanidade que foi a Primeira Guerra Mundial.
Segundo Hobsbawm (1995), até 1914 não havia noticia da existência de guerras de tão alto poder de extermínio como a Primeira Guerra Mundial, que começou como um embate continental, entre a tríplice aliança (França, Inglaterra e Rússia) de um lado e as “Potências Centrais” (Alemanha e Áustria-Hungria) do outro.
O saldo das perdas de vidas humanas foi assustador: A Inglaterra perdeu meio milhão de homens com menos de trinta anos de idade. A França entregou à morte 1,6 milhão de vidas e os alemães perderam 1,8 milhão de patrícios, demonstrando “a natureza assassina da frente ocidental”.
Nunca, na história humana, a tecnologia foi tão utilizada para matar. Os dois lados inovaram com a utilização do submarinos, aeroplanos, dirigíveis e o famigerado gás venenoso, que se mostrou de certa forma ineficaz e traiçoeiro, pois de acordo com a vontade dos ventos, o gás poderia atacar o próprio exército que estava a utilizá-lo como arma.
De 1914 a 1918 o mundo assistiu a um show de horrores, patrocinado pelas grandes potências mundiais de então, com soldados entrincheirados, uns diante dos outros, entre ratos e piolhos, alimentando a grande máquina da morte que foi a Primeira Guerra Mundial.
A partir de 1917, com a entrada dos Estados Unidos no confronto, o desfecho que tendia para a vitória alemã, muda. A Alemanha capitula. Entretanto, deve-se observar que não há vencedores. A guerra arruinara todos os lados. A Europa estava em frangalhos com os países destruídos e as economias arruinadas.
Além disso, as exigências que foram feitas à Alemanha derrotada serviriam para alimentar o rancor e o revanchismo, combustíveis explosivos que dariam início à Segunda Guerra Mundial.
A humanidade não havia aprendido a lição.

Para ler mais:
HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
REMARQUE, Erich. Nada de novo no front. São Paulo: Abril Cultural, 1981
CONRAD, Joseph. O coração das trevas. Porto Alegre: L&PM, 2001.

Sugestões para marceloferraz.cd@gmail.com