terça-feira, 11 de outubro de 2016

HISTÓRIA, ESCRITA E MATEMÁTICA


Desde os tempos chamados pré-históricos, o homem tem a necessidade da matemática para contabilizar seus rebanhos e sua produção agrícola. O surgimento do excedente e sua comercialização entre as sociedades só fez potencializar a necessidade de uma contabilidade arcaica.

Partindo dessa realidade, os povos da mesopotâmia desenvolveram o sistema de tokens, objetos de argila, como fichas, que apresentavam diversos formatos, como cones, esferas, discos e cilindros. Essas fichas, ou tokens, serviam às necessidades da economia, pois permitiam manter o controle sobre a produção agrícola, e foram expandidos, na fase urbana, para controlar também os bens manufaturados.
Armazenados em invólucros de argila, como uma bola oca, dentro dos quais eles eram guardados e fechados, chamados bulae, os invólucros escondiam os tokens e em sua superfície eram impressas as formas contidas em seu interior. O número de unidades de um produto era expresso pelo número correspondente de marcas na superfície. Uma bola contendo cinco discos, por exemplo, possuía cinco marcas de discos na superfície, podendo ser produzidas, inclusive, por meio da pressão dos próprios tokens contra a argila úmida.
A substituição de tokens por sinais foi o primeiro passo para a escrita, e serviu para o desenvolvimento do comércio e da contabilidade daquelas sociedades.
Mais tarde, estes povos trariam mais uma grande contribuição para o desenvolvimento da escrita e matemática: o sistema sexagesimal.
Diferente dos árabes e indianos, que idealizaram o sistema decimal, os sumérios criaram o sistema sexagesimal, que faz parte do nosso cotidiano. Basta dar uma olhada em seu relógio. Uma hora contém 60 minutos e um minuto contém 60 segundos.
No sistema sexagesimal, utilizava-se as três falanges que temos em cada um dos dedos para efetuar a contagem, excetuando-se o polegar, que  servia como auxiliar de contagem. Em uma mão contaríamos de 1 a 12 (utilizando-se das falanges), e na outra mão, seu múltiplo, ou seja, 12, 24, 48 e 60 (utilizando-se os dedos).

Com isso, podemos afirmar que da necessidade de uma contabilidade arcaica para a criação da escrita foi questão de tempo, pois percebeu-se que ao invés de se utilizar dos tokens dentro do bulae, seria mais prático fazer anotações em tabletes de argila, surgindo daí a escrita, os escribas e todo o complexo sistema que se faria, posteriormente, necessário.

Para aprender mais:

ROQUE, Tatiana. História da matemática Uma visão crítica, desfazendo mitos e lendas. São Paulo: Zahar. 2010.


SANTOS, Anderson Flávio dos. Sistemas de Numeração Posicionais e não Posicionais. Dissertação para obtenção do título de Mestre em Matemática. UNESP: São José do Rio Preto. 2014

Sugestões para marceloferraz.cd@gmail.com